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Os orcs querem roubar! (Seu coração!)

Tirem as crianças da sala! Eles estão aqui… e vão pilhar sua casa, roubar suas coisas, destruir sua cidade – com um sorriso no rosto. E você vai amar odiá-los. Os orcs são mais uma parte comum do imaginário de fantasia contemporâneo, ocupando o posto de vilões mais populares dos povos civilizados. Precisa de brutamontes enormes, armados com machados e cara de poucos amigos? Então, você precisa de um orc.

Entretanto, ao contrário das nossas outras raças fantásticas populares – anões e elfos – a tradição dos orcs é bem mais obscura. Os mitos não são muito precisos nas suas descrições, e nem suas aparições tão frequentes quanto as dos outros. A maior parte dos historiadores relaciona a palavra moderna “orc” como uma derivação de palavras do anglo-saxão antigo que remontam aos “ogres” – em português, ogro – ou então ao deus do submundo, Orcus – um outro nome de Plutão (Hades). Nessa parte, “orc” é praticamente um sinônimo para o significado antigo de “ogro”: um demônio troglodita de aparência repulsiva e enorme força física, de origens sobrenaturais.

Nos mitos antigos descritos, a provável única aparição – de que se tem conhecimento até agora, pelo menos – está no clássico texto anglo-saxão Beowulf, onde os orcs aparecem como uma das raças malignas a assombrar o mundo. De toda forma, “orc” aparece como uma terminologia genérica através da história para descrever uma criatura maligna que de alguma forma ameaça pessoas civilizadas e seres benignos. A única versão destoante deste mito  aparece nas obras do escritor inglês William Blake, onde o orc tem sua rebeldia inata representada como uma celebração dos valores da liberdade – uma metáfora para a Revolução Francesa, que tanto inspirou os pensadores do período.

Inspirado pelos mitos, novamente temos o bom e velho professor Tolkien fazendo a sua própria releitura para essas criaturas. Mas é graças a ele que as coisas começaram a ficar interessantes para os orcs – inicialmente, esses vilões aparecem em O Hobbit exatamente assim: como vilões. Na verdade, nessa época, em 1937, o próprio Tolkien ainda não tinha determinado especificamente o que eram esses vilões, e em vários momentos nós o temos usando as palavras “orc” e “goblin” para se referir ao que aparentemente são os mesmos seres, e que só serviam para uma coisa: bucha de canhão.

Toda a beleza e carisma dessa raça de galãs.

Precisa de um vilão? Os orcs estão sempre dispostos!

No entanto, posteriormente, conforme foi desenvolvendo sua mitologia e a história de seu mundo, Tolkien criou uma virada na trama que deixou todos comovidos – e de queixo caído: na aurora daquele mundo, chamado Arda, quando os elfos viajavam para ficarem próximos dos deuses (chamados ali de Valar), alguns deles foram capturados por um dos deuses que se tornou maligno, Melkor (também chamado de Morgoth). Torturados e pervertidos, aqueles elfos se tornaram uma sombra pálida e corrompida do que um dia haviam sido, e agora eram orcs, criaturas estúpidas dedicadas unicamente a violência e a subserviência ao seu mestre corruptor. Sério, quando se observa de perto o que Tolkien faz com seus elfos, somos obrigados a perguntar se ele realmente gostava deles. Velho sádico.

E, como era de se esperar, Gary Gigax também tomou os orcs emprestados para serem vilões de seu jogo, Dungeons & Dragons (1974). Mas, da mesma forma que Tolkien praticamente sozinho despertou o interesse por essas criaturas, Gigax atirou ainda mais lenha ao fogo: inicialmente antagonistas dos jogadores, os orcs eram tão divertidos de se lutar contra, e tantas boas histórias foram narradas por mestres usando orcs como fio condutor, que alguém um dia se perguntou: “e se nós jogássemos como orcs?”. Depois de muitas edições, revisões e artigos independentes, em 1989 o orc foi incluído como raça jogável – sua versão miscigenada, o meio-orc, se tornaria uma das raças básicas do jogo. Uma SENHORA evolução para quem sequer constava direito nos mitos antigos!

E não parou por aí. Os orcs continuam pipocando com frequência em obras de fantasia, mas ganharam um apoio massivo e uma imensa nova base de fãs após os videogames. Eles aparecem como algumas das raças favoritas da galera em algumas das franquias mais populares dos consoles, como Warhammer, The Elder Scrolls e, claro, War of Warcraft (WoW), um dos favoritos da galera. De fato, esse último representa bem o carisma que esses monstrões têm: inicialmente antagonistas dos humanos nos primeiros jogos, eles conquistaram os jogadores ao ponto de terem sua mitologia expandida e deixarem de ser meros vilões: os orcs são guerreiros nobres e xamãs, vítimas das maquinações de forças mágicas que os levaram a atacar o mundo dos humanos.

E não é que eles ficaram mais bonitinhos?

Definitivamente, parece que nenhum orc vive o bastante para continuar sendo um vilão.

For the Horde!

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