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Toda beleza e graciosidade dos Elfos!

elfos

Belos e poderosos no mundo de Tolkien. Inteligentes e altivos nos RPG’s. Fazendo doces com o Papai Noel no folclore popular. Os elfos são parte integral do folclore europeu há mais tempo do que se imagina, mudando seu papel e formato neste imaginário mais vezes do que é possível contar. A figura do elfo está presente nos mitos de todo o norte da Europa, desde a Islândia, passando por Inglaterra e Escandinávia, até a Alemanha; e cada um tem sua própria versão sobre esses estranhos seres que habitam os ermos da civilização. Observando os seres humanos com cautela, mas interagindo com eles apenas o tanto que eles próprios desejam.

Embora os elfos só apareçam pra valer nos registros históricos já dentro da Europa medieval, eles eram parte da crítica feita por muitos cristãos às crenças “pagãs”, das quais os elfos seriam oriundos. Outros, seguindo antigas tradições dessa religião, assimilam os elfos na doutrina da mesma forma que muitos outros seres egressos dos mitos antigos: como demônios. O que não é absurdo, se observarmos por uma determinada perspectiva – elfos são, em todas as mitologias em que aparecem, seres mágicos de qualidades sobrenaturais. Quase espíritos que habitam o limiar entre o pragmático mundo humano e os mundos de fantasia além.

Isso os torna originários de tradições muito antigas, pré-cristãs, de onde, inclusive, surge a etimologia da palavra “demônio”: em grego antigo, daemon, cujo significado é bem diferente do proclamado pelo cristianismo, se refere a seres, espíritos, diretamente conectados aos elementos ou aos deuses que lhes deram vida. Não são criaturas infernais; são parte de uma crença que entendia que a magia e o divino eram parte do cotidiano das pessoas.

Seguindo essas tradições animistas – ou seja, que atribuem alma aos elementos e seres da natureza -, longe da cultura cristã, os elfos passaram de mito em mito, de cultura em cultura, até encontrar um lugar cativo no norte da Europa. E acredite: é difícil listar todos os lugares em que os elfos pipocaram. Na mitologia nórdica, na falta de um, os elfos habitam três dos nove mundos que compõem sua cosmogonia. Nas antigas tradições celtas e góticas, a crença nos elfos era tão forte que a palavra “elfo” (Albio e AElf, respectivamente) foi incorporada no nome das pessoas. Mesmo Shakespeare os usava em muitas de suas peças, entre elas Sonhos de Uma Noite de Verão.

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Belos, sim, mas é bom não subestimá-los!

Oriundos do mundo pagão, hoje os elfos são sinônimo de graciosidade

Pode-se dizer que, ao contrário dos anões, os elfos nunca saíram de moda: até mesmo a publicidade os assimilou, quando a Coca-Cola, no começo do século XX, convenceu todo o mundo de que elfos trabalham com o Papai Noel no Pólo Norte. A relação disso com refrigerantes que podem ser usados como desentupidor de pia é uma longa história, mas vamos deixar para outro dia. O mais importante é saber que esses seres ganharam uma repaginada completa – ou quase – pelas mãos… dele. Sim, você sabe de quem estamos falando. Até porque o seu nome apareceu já na primeira linha: J.R.R. Tolkien.

Sim, o pai da fantasia contemporânea também foi responsável por reinterpretar esses seres e garantir a eles um novo status nesse gênero. Assim como os anões, os elfos também aparecem pela primeira vez logo no primeiro livro do Professor: O Hobbit (1937). Lá, Tolkien já dá uma ideia da sua versão para esses seres: misteriosos, reclusos, de imenso poder e beleza. A diferença é que em O Hobbit os elfos ainda estavam na sua versão “beta”. Mais próximos de suas origens germânicas, ainda habitavam o interior de florestas escuras e, embora fossem inimigos dos poderes malignos, também não eram lá de muitos amigos. Em seus livros posteriores, o autor foi dando mais e mais protagonismo para esses seres, fazendo-os ocupar um lugar de imenso destaque em sua cosmogonia: em Arda, o mundo onde se passa O Senhor dos Anéis, eles são chamados de “Primeiros Filhos” por terem sido os primeiros seres inteligentes a surgir ali. De fato, tamanha atenção Tolkien dedica a essa raça, que em torno dela criou não apenas um, mas DOIS idiomas – o Quenya (alto élfico) e o Sindarin (dos elfos cinzentos) – completos e totalmente utilizáveis. Ele realmente gostava dos caras.

E, tal qual os anões, os elfos também foram importados por Gary Gigax para o seu inovador jogo de interpretação e estratégia, Dungeons & Dragons, em 1974. Na sua primeira versão, os elfos eram mais próximos da visão de Tolkien: guerreiros habilidosos e graciosos, com um toque de magia. Por causa dessa combinação, muita gente considerava a raça meio “quebrada”, ou seja, um pouco poderosa demais em relação ao resto. Nas edições posteriores, com a introdução do conceito de combinação entre raças e classes, a coisa ficou mais nivelada, mas eles sempre mantiveram suas características graciosas e sua conexão com a magia e a natureza, guardando os limites da civilização e os mistérios além do véu do mundo.

Resta saber agora qual será a próxima grande interpretação sobre os elfos. Só o tempo – e a magia – dirão.

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