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Machados e pavio curto – Os anões!

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Adoráveis ranzinzas, os anões estão sempre prontos para a briga!

Atarracados e teimosos; corpulentos e ranzinzas; fortes e corajosos. Anões são símbolo de estabilidade e confiança – mesmo que eles testem sua paciência de tempos em tempos. Uma das raças favoritas da galera jogadora de RPG, os anões são a escolha preferida daqueles que querem interpretar personagens curtos e grossos – sem trocadilhos. Até porque, anões odeiam esse tipo de coisa.

=O conhecimento comum hoje sobre essa sólida raça é, em sua maioria, determinado pelos padrões da raça jogável no RPG criado pelo grande Gary Gigax, Dungeons & Dragons, em 1974. Desde o início, a raça era formada por guerreiros que não tinham medo da pancadaria; tanques de guerra armados com machados afiados, que tiravam seus companheiros das enrascadas em que se metiam na base da porrada. Com o tempo e a evolução de D&D, a raça foi ganhando mais e mais variações, mas sua personalidade básica permanece a mesma – leais e de pavio curto.

A inspiração de Gigax, por sua vez, é também a fonte de inspiração da literatura de fantasia moderna de praticamente todo mundo (em alguma medida): J.R.R. Tolkien. O escritor da maior (em todos os sentidos) obra de fantasia do século XX, usou essa raça como protagonista em seu primeiro livro, O Hobbit, que data de 1937. A história foi bastante popularizada depois da adaptação cinematográfica de Peter Jackson, de 2012. Embora livro e filme sejam bem diferentes – o livro, claro, é infinitamente melhor – a descrição destes guerreiros, assim como também representada por Gimli, em O Senhor dos Anéis, é a mesma: teimosos e desconfiados, mas extremamente leais aos seus amigos, sofrem com a ambição natural de sua raça.

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Gimli, o mais famoso dos anões, com sua expressão sempre amistosa

Mas Tolkien, assim como fez com praticamente todo o fundamento da sua obra, não criou a raça dos anões; ele adaptou e reinterpretou alguns dos seus objetos de pesquisa favoritos: as mitologias nórdicas e germânicas. Ele não era apenas um especialista em idiomas, gramática e filologia – sim, o cara era um gênio -, mas também um voraz estudioso de mitologia. E, como ele veio a descobrir ainda jovem, anões são uma parte comum e frequente das mitologias da Europa setentrional, presentes na Edda Poética (os textos míticos de criação da mitologia nórdica), no épico A Saga Volsüng, como também na mitologia teutônica-germânica.

A descrição mais famosa dessa última linhagem do mito se encontra no famoso texto O Anel do Nibelungo, uma compilação anônima de poemas míticos datando dos séculos XII e XIII. Nele, o anão Alberich desempenha um papel protagonista, defendendo o tesouro dos nibelungos – que, incidentalmente, inclui o anel cujos poderes também inspiraram Tolkien na criação do artefato que dá nome à sua grande obra-prima.

Antes desses mitos, a presença dos anões se perde. Alguns teóricos relacionam suas funções como ferreiros e guardiões às culturas megalíticas do norte da Europa. Mas aí já é coisa para especialistas. Você ainda pode curtir – e bastante – a lenda do Anel do Nibelungo na sua forma mais sofisticada: o ciclo de quatro óperas escritas pelo lendário compositor alemão Richard Wagner, entre 1848 e 1874. Sim, levou 26 anos para que ele terminasse a ópera. E você aí reclamando do relatório de fim de ano.

Portanto, afie seu machado e prepare-se para a batalha. Com os míticos anões ao seu lado, a vitória é certa!

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