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Metatron – Cinco mil anos de história em um símbolo!

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Esse belo símbolo é conhecido como Cubo de Metatron – e sua história é mais antiga do que se pode imaginar. Um fato pouco lembrado é que as culturas hebraicas, que deram origem às linhagens modernas do judaísmo, estão entre as mais antigas da história humana. No pouco que foi preservado delas, podemos encontrar resquícios de crenças que podem ser remontados aos primórdios da civilização, e cujas influências podem ser percebidas até hoje. Mas afinal, por que se chama “cubo”, se não é um cubo, e quem é Metatron?

Comecemos pelo último.

Metatron é, em tese, um arcanjo – e dos mais poderosos. Nas formas mais primevas da mitologia hebraica, atribui-se a ele o papel de segundo em comando de Deus. O amigo leitor cristão pode questionar, nesse caso, sobre a figura de Miguel. Pois é exatamente por isso que dissemos “em tese”: Metatron, hoje uma figura bastante lembrada pelos esotéricos, praticamente inexiste nos textos canônicos do judaísmo e do cristianismo.

Ou seja, não adianta procura-lo na Bíblia ou na Torá. Metatron remonta a um tempo antes desses textos. Alguns estudiosos desses textos especulam que Metatron possa estar relacionado a figura de Enoque, nos livros hebreus apócrifos epônimos. Ali, Enoque seria um dos patriarcas da humanidade e, de tão próximo que era de Deus, acabou sendo elevado aos céus na figura de um arcanjo, para se sentar ao lado do próprio criador.

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Pintura da Árvore da Vida – aquela que seria protegida pelo arcanjo Metatron – no interior do palácio de Shaki Khan, no Azerbaijão. Note como a arte imita o padrão geométrico do cubo.

O fato é que Metatron muito provavelmente pertence as mesmas categorias de mitos do início da civilização que Utanapishtim, que aparece no primeiro texto conhecido da humanidade, o épico de Gilgamesh, e que depois reaparece nos escritos bíblicos e judaicos como Noé. Ou seja, existe a possibilidade de ele ser descrito de outras formas em textos mais antigos – mas que dificilmente teremos acesso, dado o tempo que se passou, e o fato de que as crenças cristãs, judaicas e muçulmanas – herdeiras desses textos – tenham se formatado de maneira negativa em relação aos chamados “apócrifos”.

As referências mais “concretas” que temos dessa figura mítica que é Metatron, de fato, chegaram até nós através do Talmud, um conjunto de textos que remonta à antiga Babilônia, e que pertence ao judaísmo rabínico, uma das mais antigas formas organizadas de crença da história humana; e que, de tão antiga, ainda se utilizava de muitos elementos de misticismo, como a Cabala. Praticada por pouquíssimas pessoas, hoje ela se confunde com formas modernas de esoterismo que, independente de não praticarem essa crença como os antigos praticavam, ajudaram a resgatar muito de sua história e de seus símbolos. Entre eles, o cubo de Metatron.

Mas afinal, o que é esse cubo?

Metatron – a geometria da história

Bem, em primeiro lugar, não é um cubo; de fato, ele vai muito além disso. Esta figura contém em a si a projeção bidimensional de todos os chamados “corpos platônicos”. Estes sólidos são, por sua vez, poliedros regulares convexos, ou seja: figuras geométricas tridimensionais simétricas, cujos ângulos e arestas mantém um valor constante, e cujos lados são polígonos regulares iguais. Uma esfera inscrita, tangente a todas suas faces em seu centro; uma segunda esfera tangente a todas as arestas em seu centro; e uma esfera circunscrita, que passe por todos os vértices do poliedro.

Existem apenas 5 corpos platônicos: o tetraedro, o hexaedro (ou cubo), o octaedro, o dodecaedro e o icosaedro. Assim, o Cubo de Metraton se organiza tomando como base 13 circunferências tangentes e congruentes, construídas a partir de um hexágono regular. Unindo-se os centros de cada uma destas circunferências com os centros de todas as demais, obtém-se esta interessante figura formada por 78 linhas.

Ficou confuso? Calma. É mais simples do que parece. Na prática, essa forma nada mais é do que a justaposição de formas geométricas básicas que a gente vê por aí todos os dias – jogadores de RPG tem uma coleção dessas figuras suas gavetas, na forma dos seus dados! Fora isso, todo mundo já estudou esses sólidos nos primeiros anos da escola, nas primeiras aulas de geometria; alguns até talvez os conheçam por seus nomes artísticos: sólidos platônicos.

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As bases geométricas que compõem o Metatron.

Isso porque os antigos eram obcecados com os estudos de formas geométricas, já que elas eram a base para o desenvolvimento do conhecimento matemático do mundo; entre eles, o filósofo Platão. De fato, essas formas geométricas básicas influenciavam as sociedades do mundo antigo de uma tal forma que elas passaram a ingerir nos seus cotidianos para além dos estudos matemáticos. Astecas e egípcios, civilizações tão distantes, utilizavam a mesma figura da pirâmide com propósitos além dos arquitetônicos; serviam como fundamento para princípios religiosos e mesmo políticos.

Mesmo sociedades mais racionalistas, como os gregos antigos, foram além dos simples estudos matemáticos. Pitágoras criou um sistema ético em torno dos seus estudos matemáticos e geométricos, e Platão admirava a simetria geométrica de tal forma – esta pertencendo, inclusive, ao seu “mundo das ideias” – que escreveu nas portas de sua Academia: “que não entre aqui quem não for um geômetra”. Quando Euclides escreveu Elementos, sua compreensão da geometria era tão abrangente que, para ele, compreender a maneira como as formas geométricas se comportam e se relacionam matematicamente era a chave para entender como o mundo e a natureza funcionam.

E ele não estava tão distante assim da verdade. O cubo de Metatron, de um ponto de vista matemático e filosófico, nada mais é do que uma visão artística e idealizada dos padrões simétricos e geométricos com os quais a natureza se organiza de maneira perfeita – e de como nós, seres racionais, podemos orientar uma ética através desses princípios. O cubo de Metatron, assim como o princípio matemático por trás dele, influenciaram muita gente; como o matemático Leonardo Fibonacci, cuja famosa Sequência foi inspirada por estudos dos antigos, assim como outro Leonardo, o Da Vinci, que criou aquela que seja, talvez, a mais famosa aplicação do cubo de Metatron: o Homem-Vitruviano.

Em tempos recentes, com a matemática e a geometria tendo avançado muito além do que os antigos imaginavam, o cubo de Metatron acabou se tornando mais uma divertida curiosidade, na maior parte do tempo usada e explicada para fins pedagógicos. Entretanto, no esoterismo contemporâneo, diversas linhagens acreditam que o cubo de Metatron possa ser usado para fins transcendentais, tendo a sua ordem geométrica alinhada a importantes aspectos transcendentais do ser; como, por exemplo, cada poliedro representando um dos chakras que comporiam o corpo metafísico humano.

Se é verdade ou não, não cabe a nós dizer. Mas que é uma imagem linda, isso com certeza é!

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